“Um escritor para mim é acima de tudo alguém que idealiza um mundo melhor”

Autora de Ciclos Eternos Caroline Factum fala sobre sua obra, publicada pela Chiado Editora e aconselha jovens escritores que tentam entrar no mercado editorial.  


Por Ana Cláudia  Esquiávo

Tive o prazer de conhecer pessoalmente a escritora Caroline Factum, autora de Ciclos eternos durante a noite de autógrafos da primeira obra da série no Rio de Janeiro.  Não são todos os livros de fantasia que me levam até a última página, mas confesso que conhecer o submundo (primeiro livro da série) não só me despertou o interesse por toda a história como me levou até a superfície (segundo livro da série).



            A escritora já me despertou a atenção quando eu li O Colecionador de Almas, um livro forte e instigante que cumpre o papel de nos alertar sobre os psicopatas e como nos proteger contra essas pessoas.
            Já no segundo livro Ciclos Eternos – Superfície, Caroline alerta sobre os cuidados que escritores iniciantes devem tomar antes de assinarem um contrato com editoras.

Literaleitura - Quando você decidiu escrever o livro Submundo? 
Caroline Factum: Tem uns 10 anos.

L -  Qual foi a sua inspiração para escrever sobre o submundo?
Caroline: Na verdade não foi inspiração e sim porque nunca antes li um livro de fantasia que mostrasse dramas enfrentados na vida real e quis escrever algo que mesclasse ambos.

 L - Você começa a obra com uma personagem que acreditava ter problemas mentais e de repente descobre que sua vida está ligada a magia do submundo. Qual foi a principal mensagem que você quis passar para os seus leitores?
Caroline: Ciclos é muito complexo, o que quis mostrar é que existe mágica “vida” fora de seus problemas, a fantasia nesse caso é um mero detalhe, a metáfora está sobre pessoas que perdem uma vida toda mergulhadas em seus problemas, enclausuradas em suas casas e deixam de enxergar a vida que corre através da janela.

Jornalista Ana Cláudia Esquiávo
com a escritora Caroline Factum
L - Ciclos eternos tem personagens muito complexos com emoções paradoxas que são o amor e a raiva, que foi o caso de Sâmia. Você quis explorar essa dualidade de sentimentos que os seres humanos sentem ao longo das suas vidas?
Caroline: Não, este tema irei abordar um dia se escrever um livro que chamarei Crônicas de Luz & Trevas. No caso de Sâmia é preciso entender  o dilema de wendy, abordado de maneira magnífica pelo Dr. Dan Kiley.  Sâmia vê no rei ou em qualquer homem que abale suas emoções o seu pai, pai que a traiu e trouxe uma substituta para a mãe, esperando assim que a qualquer momento Jahean possa traí-la e substituí-la, o ódio que ela sente é dela mesma por não evitar algo que ela acredita que irá acontecer. Isso não acontece com Kevin, pois ela não o amava, era uma amizade, algo seguro sem grandes emoções, não mexia com seus medos e inseguranças.

- Qual o seu personagem preferido?
Caroline: Annie, sem sombras de dúvidas, apesar de ter uma existência muito triste.

L - No seu segundo livro Superfície, você fala sobre o mercado editorial e como uma editora deveria ser. Seria um alerta para os escritores sobre editoras que iludem escritores com falsas promessas?
Caroline: Com certeza! Só existe editora corrupta porque tem muito autor sem informações e acaba se iludindo e tendo seus sonhos frustrados.

L - No livro O colecionador de almas você também faz um alerta para as pessoas sobre como identificar e se prevenir contra os psicopatas. Você vê a literatura também como uma missão na sua vida?
Caroline: Dizem que você deve plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro para ter cumprido sua vida. Eu acredito que você, além disso, você deve regar a árvore, educar o filho e escrever algo digno de ser lido.

L - Quais os conselhos você daria para os escritores iniciantes que estão se aventurando no mercado editorial?
Caroline: Primeiro aprenda a ler um contrato, jamais assine um contrato sem antes passar pelas mãos de advogados caso não tenha conhecimento, com isso você perde muitos anos e provavelmente até seus sonhos ao cair nas mãos de editoras corruptas. Depois, cuidado com o ego, tenho recebido mensagens de leitores se queixando de autores que os destratam, especialmente em plataformas com o wattpad. Não importa que você chegue ao topo, tratar as pessoas como gostaria de ser tratado é fundamental para ter sucesso em qualquer profissão. Jamais esqueça que os colegas de trabalho, antes de colegas são leitores e eles devem receber o mesmo respeito que qualquer leitor.
Um escritor para mim é acima de tudo alguém que idealiza um mundo melhor e não será com arrogância, ganância e narcisismo que mudaremos o mundo.

Ana Cláudia Esquiávo é jornalista e escritora



2 comentários:

  1. ♡ como não amar o que a Carol escreve? Kkkk
    Parabéns sempre dizendo a verdade ♡

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  2. Excelente entrevista, Ana! Parabéns pela matéria, e parabéns a autora pelo livro!

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