Resenha: O Que Dizem Seus Olhos

Autora: Florencia Bonelli
Editora: Essência
Ano: 2018
Páginas: 368

* Livro cedido pela editora, para resenha, referente a parceria 2018.

Córdoba, Argentina, 1961. Apesar de sua origem humilde, Francesca De Gecco conseguiu ter uma sólida educação. Sua carreira começou no jornal dirigido por seu rico padrinho e mentor, mas seus planos de se tornar uma jornalista de sucesso foram interrompidos pela história de um amor impossível.Após sofrer uma terrível desilusão que só o tempo e a distância poderiam curar, seu tio consegue um emprego para a jovem em uma embaixada distante, e Francesca se muda para Genebra. No entanto, essa cidade será apenas a primeira parada de uma viagem muito mais longa. Ao redor do mundo, nos palácios mais deslumbrantes dos desertos do Oriente Médio, Francesca terá uma segunda chance de ser feliz.

            Já pela capa, “O Que Dizem Seus Olhos” me chamou atenção. O ar árabe, a promessa de um romance arrebatador e, ao mesmo tempo, com cheiro de segunda chance logo chamou minha atenção. Fique bem curiosa quanto a história e como ela se desenvolveria. Não nego que ela já tinha ar de clichê, o que se provou real, mas nem por isso meu interesse foi menor.






      Francesca é filha da cozinheira de uma família rica e prestigiada da Argentina. É claro que, pelos patrões de sua mãe, ela não é lá muito bem vista, mas essa é a última das preocupações da jovem, pelo menos no início da história. Ela visita a casa do campo com sua mãe apenas durante um tempo do ano, no resto do tempo, trabalha com seu padrinho em um jornal renomado da capital.

            É nesta última vez que vai visitar a mãe na casa do campo que ela reencontra também o filho do “patrão”, que estava fora do país para estudar. Desse encontro, nasce um romance e dele, promessas. Essas que são quebradas já que o rapaz não possui coragem o suficiente para enfrentar a família — a mãe, mais especificamente — e acaba se casando com outra. Mas engana-se quem pensa que ele deixará Francesca em paz.

"O amor pode nos levar às nuvens e nos deixar suspensos no ar quente do verão, enquanto um coro entoa as mais lindas canções, ou pode nos jogar sem piedade no fosso mais profundo, escuro e sórdido."

            Em busca de se ver livre do ex-amor e superar a dor que carrega em seu coração, Francesca aceita a oferta de emprego que o padrinho arruma na embaixada Argentina em Gênebra. Lá ela faz amizade, redescobre sua força e uma forma de seguir em frente. Mas não dura muito mais tempo. Logo ela é transferida às pressas, e de forma muito misteriosa, para a Arábia!

            É lá, trabalhando com o embaixador, que ela conhece Kamal, irmão do rei e o escolhido da família para tomar o lugar como líder do país. Em meio a problemas políticos que o país enfrenta, problemas familiares que são os causadores desses problemas, os dois começam a se envolver e tal envolvimento se torna algo muito maior. Mas é claro, para os parentes de Kamal aquilo não era correto, afinal, ela era estrangeira.

"Ela tivera que percorrer um caminho tão longo para encontrar o verdadeiro amor, e havia sofrido tanto também. Em um lugar tão afastado e alheio a tudo que lhe era familiar, ela se perguntou se realmente este era seu destino."

            O relacionamento então passa a ser ameaçado pela família do árabe, assim como forças externas, que estão de olho no que pode acontecer se esse relacionamento se tornar mais sério e não estão nada felizes. É nesse momento que não só a felicidade dos dois está correndo perigo, como também sua felicidade.



            Apesar de o livro se passar nos anos 60, senti como se pudesse ser lido nos dias de hoje, por conta dos preconceitos que ainda estão presentes em todo o mundo sobre determinadas culturas. Porém, existe aquela parte que se situa, historicamente, na época retratada, o que torna a história bem mais verossímil.

            O início da leitura foi bem lenta pra mim. A trama demorou para me prender e eu passei boa parte do tempo odiando o ex da Florencia, Aldo, por ser covarde de não fazer o que quer e, depois, ficar perseguindo ela, forçando-a a fazer o que não queria, usando dos sentimentos dela para conseguir o que queria. Muito “ranço” por ele.

            Até mesmo quando Kamal entrou na história, demorei para me simpatizar por ele. Em alguns momentos ele se mostrava possessivo, outras era um amor, e aí voltava a querer mandar nela. Enfim, demorei para conseguir confiar nele e acreditar em seus sentimentos por ela. Mas quando isso aconteceu — e devo acrescentar que depois de Florencia mostrar bastante a sua força de vontade e ideais —, eu acabei sofrendo com ele quando as coisas começaram a dar errado.

"Você não tem uma gota de covardia. É o que dizem seus olhos." 

            Uma das coisas que mais gostei é de como a autora colocou bastante coisa de política, que era um auge na época (e até hoje, de certo modo), de forma tão simples como parte da trama, e ainda assim não foi algo chato, mas necessário para que entendêssemos os embates que aconteciam entre a família como tal e como governantes do país.

            E os problemas? Eles vão aparecendo aos poucos, se tornando uma bola de neve e, no final, acaba se mostrando uma bomba que está prestes a explodir e acabar com tudo. É agoniante acompanhar e foi quando eu não consegui largar o livro para saber o que aconteceria. Deu, sem dúvida, uma emoção a mais para a história.


            Recomendo “O Que Dizem Seus Olhos” para todos os que gostam de romance e que tenham coração forte para aguentar as emoções do final do livro. Você é desse? Então não perca a chance!



Classificação:
Gênero:
Literatura Internacional
Romance
Erótico
Drama




Um comentário:

  1. Oi, Fernanda.
    Ai, menina, que capa mais linda! Eu estou muito curiosa com esse livro, a premissa me atraiu muito e a sua resenha me deixou morrendo de vontade de ler. Gostei de ter política envolvido da maneira que não deixa a leitura pesada e isso eu gosto. Acho que deve ser uma leitura que eu vou gostar demais.

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