Desabafo Literário: Divulgação

   No processo de criação de um livro nem tudo são flores, há muito trabalho e dedicação por parte dos escritores, mas para que o trabalho torne-se um sucesso não basta que o autor faça simplesmente uma boa obra, é necessário maior interesse em divulgação por parte das editoras e é ai que se inicia a luta pela sobrevivência das obras nacionais.


   A dificuldade na divulgação é tão grande que muitas vezes faz com que a obra não tenha o reconhecimento merecido, por isso, nossa equipe resolveu abrir um espaço especial para ouvir os principais afetados por esse sistema, sim, os próprios autores.


Livro: Vida e Morte
Por: Claudia Rua Taulois de Melo

"Escrever talvez seja a parte mais simples do processo de tornar-se um escritor.


O caminho a ser percorrido após o ponto final é extremamente árduo: encontrar uma editora para a publicação, fazer a divulgação exaustiva e a distribuição necessária são etapas que requerem conhecimento, empenho e um pouco de sorte também.
Do que se refere a encontrar uma editora, as grandes acabam sendo inacessíveis aos escritores iniciantes. Resta a opção de produzir totalmente de forma independente ou encontrar uma editora menor que geralmente pede que os autores assumam parte dos custos.
Passada esta etapa, começa a fase da produção, que consome um bom tempo e requer paciência. Mas neste momento, os autores estão felizes e esperançosos com a gestação de seus bebês. Tudo são flores!
É só quando a criança nasce que os problemas voltam a ocorrer porque não há divulgação suficiente para que o livro possa ter a menor chance de chegar ao conhecimento dos leitores. Acaba sendo vendido apenas aos parentes e amigos no dia do lançamento.
Acontece que, otimistas e inocentes que somos, acreditamos que a editora irá fazer a distribuição necessária, que inclusive nos prometeu em contrato no momento em que o acordo entre as partes foi firmado.

E é aí que nosso bebê começa a morrer antes mesmo de ter vivido.

Alguns escritores talvez não façam uma simples busca para verificar onde suas obras podem ser adquiridas, mas alguns mais atentos e calejados acabam por descobrir a realidade com alguns poucos telefonemas, visitas a livrarias ou buscas feitas na internet.
E neste momento, começa a frustração e a busca por esclarecimentos por parte da editora, que dificilmente se apresentam de forma consistente.
É triste ver que além da falta de apoio à literatura, tenhamos que conviver com o descaso e a falta de ética que transformam algo tão importante, em simples comércio para algumas editoras que ganham com a impressão dos livros, sem se importar com o objetivo principal.
E não há pra quem reclamar.
A única esperança talvez seja o apoio dos blogs de forma a tentar sensibilizar a opinião pública e as pessoas formadoras de opinião para exigir que essas práticas não tenham mais espaço na nossa sociedade.
Além disso, é passada a hora do Ministério da Cultura pensar em ações consistentes ao incentivo à leitura, embora um país letrado e que pense não seja muito o objetivo de muitos que estão no poder.

Para ajudar no “brainstorm” sugiro algumas práticas de incentivo aos escritores nacionais iniciantes:

> Governo conceder incentivo fiscal para as livrarias que derem o mesmo espaço de divulgação aos best sellers e aos autores iniciantes.

> Governo conceder incentivo fiscal para as editoras que publicarem pelo menos 10% de seu catálogo de autores iniciantes.

> Governo fazer campanhas na TV promovendo a leitura. Práticas de Incentivo aos Escritores Nacionais Iniciantes (Até 5 livros publicados):

         Governo fazer campanhas na TV promovendo a leitura.
         Governo regulamentar e fiscalizar as práticas adotadas pelas editoras."


   Essa falta de incentivo na divulgação faz com que muitos leitores desconheçam a existência de obras que poderiam se tornar um grande sucesso, além de ser um descaso com o árduo trabalho dos autores. Nosso país necessita de maior apoio à cultura, não queremos ser representados apenas por carnaval e futebol, nossa nação tem mais a oferecer, somos um povo trabalhador composto por pessoas inteligentes, mas com preguiça de reivindicar os seus direitos, acomodados com a situação e isso tem que mudar.

   Essa nação de pessoas que vivem para tirar proveito alheio, conformados com a injustiça e a falta de incentivos para a educação e cultura, isso não me representa!

Projeto


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