Resenha: Felicidade ou Morte

Autor: Leandro Karnal e Clovis de Barros Filho
Editora: Papirus 7 Mares
Ano: 2016
Páginas: 90


De filmes e livros a propagandas de televisão, a todo momento somos instados a ser felizes. Pois, como diria o poeta, "é melhor ser alegre que ser triste". O desejo pela felicidade parece ser mesmo uma constante de nosso tempo. Clóvis de Barros Filho e Leandro Karnal passeiam pela história e pela filosofia para pontuar como cada época e sociedade estabelecem sua própria definição das circunstâncias para o que seja uma vida feliz. E questionam se, sendo livres para escolher entre tantas possibilidades, estamos de fato mais próximos desse ideal. O livro é certamente um encontro feliz entre os dois autores, que não deixam de tocar em aspectos mais desafortunados do tema, presentes quase como uma sombra indissociável de nossa condição humana. Afinal, poderia a felicidade denunciar certo contentamento com o infortúnio alheio? Ou estaria ela no amor pelo outro? Sem a felicidade, o que nos resta?

Olá corujinha, como vai você? Hoje eu venho trazendo a minha leitura — da maratona de 12 meses —, de fevereiro. E hoje eu dei a sorte de poder filosofar um pouco ao lado de dois dos meus crushs filosóficos: Karnal e Clovis. Por que ler um livro como esse, é como ser convidado a tomar café e abordar sobre o assunto. Então vamos nessa!

Filosofar e muito mais do que encontrar respostas, e ir de encontro a perguntas que te faça pensar no que antes talvez nem havia passado por sua cabeça, ou se passou, você tem a oportunidade de se sentar do lado oposto da mesa e ver o que antes estava por trás de você, já que só possuía um ponto de vista.
E com isso, eu abro a resenha com a pergunta: o que é felicidade para você?
“A felicidade, a meu ver, é muito mais conhecida pela sua ausência do que pela sua presença.” — Clovis.
Felicidade para mim, e para muitos, por muito tempo, foi procurar um sentido de vida. Onde — como Clovis citou dentro do livro — eu fosse uma peça essencial para o universo. O mundo tinha que esta alinhando, desde o tarô a física. Mas, observando a vida de ponto filosófico e talvez até melancólico — não existe sentindo. Mas, não se sinta triste com isso! É só uma observação pessoal que se fez presente quando li Nietzsche “Entre o bem e o Mal”.

Por muito tempo eu fiquei pensando no sentido da vida e, após aquela leitura que destruiu os vários sentidos criados por outras pessoas, me fez perceber que eu poderia criar o meu próprio sentindo. Essa é mágica!

E assim foi com o livro “Felicidade ou Morte”, o que é a felicidade se não uma construção de sentidos — até mesmo utópicos — criados por uma sociedade. Felicidade pode esta enquadrado em várias realizações: materiais, sentimentais, profissionais. E por ai vai. A felicidade está em algo que pode ser qualitativo ou quantitativo.
“Não há salmão depressivo, não há salmão que tome Prozac.” — Karnal.
E nesse vai e vem observando o bate-papo desses dois gênios, eu me atentei para o fato dessa frase do Karnal, e que se perpetuou com outras observações entre ambos os autores. E eu pensei: realmente, não é comum animais terem depressão, ou, ausência de felicidade. Já que eles nascem nas condições e funções de exercerem aquilo que sua existência lhe propôs. Se você é abelha operária, você vai polarizar flores e fazer mel, irá proteger a colmeia e sua rainha.

Mas, é o ser humano?

Embora, possamos fazer muitas coisas, e temos aptidões que nos influencie a estar inseridos em algo, nem sempre é o que acontece. Se a realidade humana fosse uma colmeia, muitos não estariam nela. Algo estranho de se pensar, imagina várias abelha não exercendo sua função?

Acredito que a ausência de felicidade, se dá pelo fato do ser humano não se sentir incluído em algo que de fato seja significante sua presença. Se extinguir as abelhas, o mundo sobre consequências, mas, é se os seres humanos forem varridos da Terra? A vida continuará tendo seu percurso. Acredito que a pior dor é saber que com ou sem você, e qualquer outro, a Terra gira, pássaros cantam e estrelas explodem. Mas, sem as abelhas as flores murcham! — poético.

Acredito que no fundo queríamos que as flores de certo modo se entristecem com nossa ausência. E é por isso que eu amo a arte, por que, dentro de um livro, uma canção, na dança, seja o único lugar que te faz eternizar de alguma forma. Que faz você levar algo bom para o mundo! Eu encontrei o meu sentindo na literatura.

Mas, sendo bem niilista em relação a tudo, o ser humano não nasceu com uma função como as abelhas, ele nasceu com a liberdade: o poder de escolher vários caminhos! Sartre abordou essa peça do existencialismo. Nós sentimos que pagamos um preço por sermos livres, o preço da escolha, porque, quando se escolhe, automaticamente algo é deixado para trás. E se tem algo que não gostamos é de sentir que “faltou algo”, faltou algo que você não escolheu. Seria muito bom se existisse realmente vidas passadas, mas com acesso a memórias, para você saber que dessa vez pode fazer o diferente.

“Por isso, o gato seja o ser e nós o nada. Nós, que não somos nada, vamos vivendo sem ser e, assim, existindo livremente.” — Clovis.

Minha breve solução como diria uma das palestras de um dos meus crush é “tente morrer menos”.  Não acredito nessa felicidade, sentido, amor ou qualquer outra coisa florida no mundo do marketing!

Eu acredito no simples — uma Navalha de Occam, se assim poder se referir — nada tem sentindo, você é que dá! (Assim como a boneca que tinhas na infância, você sabia que era apenas um objeto, mas, ainda sim, tratava como uma pessoa).

Então de sentido ao que te rodeia e construa sua realidade. Porque seja abstrato ou não, tudo é construindo um dia após ou outro. E no dia que você para de construir, a ausência ocupará sua alma, e com isso irá morrendo aos poucos aquilo que você chama dentro de si mesmo de felicidade.

No mais, eu super indico o livro. Filosofia como sempre é um convite a perguntas que te leva a construir as próprias respostas, apresentando as variáveis do tema. E você leitor, deixe nos comentários qual é a sua opinião sobre: o que é felicidade?

Classificação
Gênero
Filosofia
Literatura Brasileira


Um comentário:

  1. Parece ser um livro muito interresante, não conhecia mas irei procurar saber mais.
    Abraço.

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